Laécio Silva de Menezes é parte das juventudes da ASSEMA e RAMA, foi acompanhado desde os três anos de idade pelo Projeto de Lazer, Educação e Cidadania da ASSEMA – PLECA. Conheceu o projeto quando ainda era chamado de Projeto Amiguinhos da ASSEMA. Hoje, aos 18 anos e cursando Pedagogia na FEMAF, ele é membro do GT de Juventudes da RAMA e atua como Comunicador Popular da AMOSSAJE, nas redes sociais ele produz fotos, vídeos e textos para mostrar a realidade de suas comunidades (Saudade, São José e Encruzilhada).
Reconhecido pelas organizações parceiras da ASSEMA, Laécio tem orgulho de ser uma referência para outros jovens, levando conhecimento do campo para outros contextos. É com esse olhar de quem reconhece que a comunicação é uma ferramenta de luta, que ele compartilha seu relato sobre a recente vivência no coração da Amazônia Maranhense, com o povo indigena Ka’apor. Confira!
Relato de Experiência – Intercâmbio entre Juventudes da RAMA e Ka’apor
Por Laécio Silva de Menezes
De 12 a 15 de junho de 2026, participei do 5º Encontro pelos Defensores dos Direitos da Natureza e pelo Bem Conviver na Floresta, realizado em TAPEREWA’YRENDA, na TI Alto Turiaçu, Araguanã – MA. Tendo como companhia com Diego, Rozalia, Jessé, Matheus, Rayara, Bárbara, Rogério, Jackelinda, Francisco Jairton, Bruno e Lívia, somando com a Juventude Guardiões do Bem Conviver Ka’apor. Somos jovens do GT de Juventudes da RAMA — Uaefama, Assema, Acesa — e com a Casa Familiar Rural de Açailândia.
Para chegar no território, a jornada já foi parte da vivência: saímos da van, caminhamos, pegamos canoa pelo Rio Turiaçu, até aportarmos em TAPEREWA’YRENDA. Lá, deixamos nossas coisas na casinha que eles construíram para nos receber e passamos esses dias dormindo no coração da floresta.
Durante o encontro, vivemos trocas de saberes ancestrais, rodas sobre defesa do território e práticas de cuidado com a terra. Um dos momentos mais marcantes foi o plantio de 14 árvores frutíferas, simbolizando as 14 áreas já reflorestadas pelo povo Ka’apor e por Matheus Pereira, o responsável por levar as mudas. Ali, unificados num só sentimento agroecológico.
A atividade me impactou, porque me fez entender, na pele, que a luta pela floresta não se faz sozinha. Ver as famílias Ka’apor se organizando para retomar áreas ameaçadas pela exploração madeireira, ficando ali e reflorestando, me mostrou o que é resistência real. Saí com a certeza de que nosso papel, enquanto juventude, é ser ponte entre mundos.
O que me incentiva a estar engajado é ver que quando a gente se junta: indígena, quilombola, camponês, a floresta responde. É saber que cada semente plantada vira futuro e que nosso bem conviver é possível.
Por isso compartilho. Já venho fazendo isso nas redes, porque acredito que postar é também um ato político. É furar a bolha, mostrar que a Amazônia está de pé, com seus povos, e chamar mais gente para luta. Cada foto, cada vídeo, cada relato é semente. E contar nossas histórias também é reflorestar o mundo. A ASSEMA tem contribuído bastante para o meu crescimento. Sou feliz em saber que as pessoas que trabalham em determinadas organizações me conhecem e sempre perguntam se estou disponível para realizar determinadas atividades, isso é sinal de que o meu desempenho e desenvolvimento têm sido notados e procurados.
Me sinto orgulhoso em saber que estou sendo conhecido e que a minha missão, enquanto jovem, é levar conhecimento para as pessoas do meu convívio, do povoado e da cidade. Sou grato por saber que estou me tornando referência inspiradora para outras juventudes.
É importante destacar que a experiência foi desenvolvida por Tuxa Ta Pame e Centro de Formação Ka’apor (CFSK), com apoio da RAMA, Casa Familiar Rural de Açailândia, Associação Gurupi Ambiental (AGA), Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM), Fundo Babaçu, Sindipetro Amazônia e Fundo Amazônia.








