Ministras em Ludovico: na trilha do babaçu, vem das mulheres um novo horizonte

Na terça-feira (25) o povoado Ludovico, em Lago do Junco (MA), vivenciou um momento importante para a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR) e organizações parceiras como a ASSEMA. 

A comunidade recebeu a Ministra de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e a Ministra de Igualdade Racial, Rachel Barros. O objetivo do encontro foi uma aproximação com a realidade do manejo sustentável do coco babaçu e destacar a importância das políticas públicas na vida das quebradeiras de coco. 

A acolhida da caravana governamental foi uma completa imersão aos processos de extração da amêndoa, desde o som tradicional dos cantos das Encantadeiras até demonstrações de coleta dentro dos babaçuais e a própria quebra do coco.

Em seguida, o grupo conheceu os meios que garantem a autonomia econômica dessas mulheres: a cantina de troca onde a amêndoa assegura a aquisição de alimentos e outros itens e também a Fábrica de Sabão e Sabonetes da AMTR, onde o óleo orgânico, produzido a partir do coco babaçu, se torna produto de higiene. Um exemplo prático de cooperação produtiva. 

Representando a força da organização local e a importância das parcerias no território, Maria Eliane da Silva, Coordenadora Geral da ASSEMA, destacou o significado histórico da resistência das mulheres no campo:

“Os babaçuais trazem esse histórico de união de movimentos sociais, então essa unificação é a resiliência de mulheres do campo e diz que juntas estamos de mãos dadas em defesa dos babaçuais, contra agrotóxicos, mas também lutando para que outras políticas públicas cheguem aqui”.

Após um almoço comunitário promovido por Maria Alaídes, Coordenadora Geral do MIQCB, foi a vez de abrir espaço para uma roda de conversa sobre experiências de acesso às políticas públicas. Realizado na capela Católica da comunidade, especialmente ornamentada com elementos do babaçu, fotografias e bandeiras, o diálogo reuniu lideranças e representantes da ASSEMA, AMTR, MIQCB, ACESA, RAMA e órgãos como a CONAB e ANATER. O debate focou em iniciativas essenciais para a sociobiodiversidade, como o Projeto Jandaíras, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o PGPM-Bio. 

“Foi muito especial estar lá nos babaçuais, conhecendo, vendo de perto a atividade das quebradeiras de coco e saber que as políticas públicas do governo do presidente Lula chegam para apoiá-las. Temos um conjunto de ações que vão do crédito do Pronaf até a garantia de preços mínimos, que apoiam essas mulheres e fazem com que esse modo de vida tradicional possa gerar também renda, oportunidade, trabalho e cuidado com o meio ambiente”, pontuou a ministra Fernanda Machiaveli. 

A ministra Rachel Barros propôs reflexões sobre as relações entre gênero, raça e a luta por direitos no campo. “As mulheres estão no centro das políticas públicas, porque a gente entende que elas são centrais para a gente avançar no projeto de país democrático, sustentável, igualitário, que promova igualdade racial, desenvolvimento, sustentabilidade”.

A visita se encerrou com a leitura de uma carta redigida por Macicleia Mesquita, representando o Maranhão e Antônia Silva (Toinha), representando o Piauí, jovens frutos dos movimentos, expressando as conquistas, anseios e desafios das quebradeiras de coco, pautando, além disso, demandas que permeiam as organizações com atuação nos territórios. 

O projeto Jandaíras é muito importante para o fortalecimento do trabalho das mulheres aqui na comunidade, em todo o município. E hoje a gente recebeu a visita de duas ministras e um momento ímpar na luta de fortalecimento do trabalho dessas mulheres aqui na nossa comunidade. Com a visita dessas duas ministras mulheres, elas se sentem mais empoderadas para continuar essa luta de trabalho que elas têm desde muito antes”, destacou Macicleia Mesquita, bolsista representante do projeto Jandaíras em Lago do Junco (MA).

Este momento não apenas evidenciou a importância das políticas públicas para a sustentabilidade da economia do babaçu, mas também reafirmou o papel da AMTR como exemplo de resistência e organização coletiva. Ao dar visibilidade às demandas e às conquistas dessas mulheres, o encontro reforçou a urgência de fortalecer vínculos entre o Estado e os territórios tradicionais, assegurando que a preservação da sociobiodiversidade e o combate às desigualdades continuem sendo prioridades inegociáveis. 

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