Assema participa da 3ª Reunião do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos sediada pelo MPMA

A 3ª Reunião do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos ocorreu nos dias 3 e 4 de agosto, tendo como sede o Ministério Público do Maranhão, em São Luís. 

A ASSEMA esteve presente durante as discussões sobre os Impactos da Pulverização Aérea à Saúde, ao Meio Ambiente e às Populações nos Territórios, que teve como objetivo propor ações emergenciais frente aos danos causados pela pulverização aérea às populações nos territórios do Maranhão e em outras regiões do Brasil.

Na oportunidade, foram ouvidas as falas de Marli Borges e Raimunda Nonata, representantes das comunidades quilombolas de Guerreiro e Cocalinho, que relataram as ocorrências e os efeitos da pulverização de agrotóxicos, realizada de modo criminoso em seu território.

Em sua fala, Raimunda Nonata relatou que a contaminação não se restringe ao solo e à água, mas afeta diretamente o corpo de todos os indivíduos que residem nos territórios. Além disso, denunciou que as fiscalizações são realizadas de modo superficial, sendo necessário que essa observação seja feita diretamente nas comunidades, e não apenas nos centros urbanos dos municípios.

“São plantadas as sementes transgênicas e ela só aumenta a produtividade dela com o uso desses agrotóxicos, que vai matar os artrópodes, que neles estão as abelhas polinizadoras das nossas plantações, eles matam e acabam diminuindo a nossa produção de forma total e isso é muito preocupante pra gente. Além das doenças que apareceram nas pessoas como coceiras, diarréias, distúrbios, os abortos e vários tipos de cancer, depressão, insônias, tudo isso tá acontecendo com as pessoas e eles ainda vem dizer que a gente não tá sofrendo essas violações, é porque eles nao foram”, relata Raimunda.

O evento reuniu diversos representantes de movimentos sociais, incluindo a Comissão Pastoral da Terra no Maranhão (CPT/MA), Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA) e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, que discutiram estratégias e enfrentamentos aos impactos das pulverizações. Participaram também representantes de instituições acadêmicas, como Guilherme Franco Neto (VPAAPS/FIOCRUZ), focando em redes de pesquisa sobre o Cerrado, e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Além disso, o Ministério Público esteve representado por Ana Paula Carvalho de Medeiros (MPF/RS), Luciana Espinheira da Costa Khoury (MP/BA) e Cláudio Rebêlo Correia Alencar (MP/MA), coordenadores de fóruns estaduais sobre agrotóxicos. 

O encontro foi finalizado com a apresentação de informes gerais e a definição de encaminhamentos estratégicos, que visam fortalecer a atuação do Fórum na defesa das populações atingidas pelos agrotóxicos e na continuidade do monitoramento dos impactos ambientais e sociais nos territórios maranhenses e de outras regiões do Brasil.

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