Participação no Tribuna 101 abordou a resistência das quebradeiras, a defesa dos territórios e a valorização dos produtos derivados do babaçu
Representantes da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA) participaram, no dia 23 de setembro, do programa Tribuna 101 para falar sobre a luta e a resistência das quebradeiras de coco babaçu e divulgar a mobilização realizada em alusão ao Dia das Quebradeiras de Coco Babaçu.



Participaram da conversa Maria Eliane, coordenadora-geral da ASSEMA e quebradeira de coco babaçu, e Ricardo Araújo, assessor do Programa de Comercialização Solidária da ASSEMA. Durante o programa, os dois compartilharam diferentes aspectos da atuação das quebradeiras e das organizações que, ao longo dos anos, vêm trabalhando pela defesa dos territórios, pela preservação do babaçu e pelo fortalecimento das comunidades.
Em sua fala, Maria Eliane destacou que a resistência das comunidades no campo está diretamente ligada à defesa da água, do meio ambiente e de condições dignas de vida, alcançando também quem vive nas áreas urbanas.
“Que a nossa resistência no campo, que a nossa resistência no nosso território por água, por um meio ambiente saudável, é também pela vida de homens e mulheres que vivem na zona urbana e nas cidades. Porque nós precisamos de água, nós precisamos de ar puro, nós precisamos do bem viver, nós precisamos de alimentação saudável”, afirmou.
A coordenadora também relembrou a trajetória das gerações de mulheres que encontraram no babaçu uma fonte de sustento e construíram caminhos para que novas gerações continuassem vivendo e resistindo nos territórios.
Babaçu, geração de renda e valorização dos saberes
Durante a entrevista, Ricardo Araújo falou sobre a trajetória de organização das famílias agricultoras e quebradeiras de coco babaçu para ampliar as possibilidades de aproveitamento e comercialização do fruto.
Ele lembrou que, além da venda da amêndoa, a organização coletiva permitiu avançar na produção e comercialização de diferentes derivados, como óleo, sabão, sabonete e mesocarpo, agregando valor ao babaçu e contribuindo para a geração de renda das famílias.
Para Ricardo, esses produtos carregam mais do que seu valor comercial. “São produtos que trazem um valor social agregado, que trazem toda essa luta, toda essa resistência das quebradeiras, toda a preservação dos saberes tradicionais das comunidades”, destacou.
A participação no Tribuna 101 também foi um espaço para convidar ouvintes e comunidades para a mobilização pelo Dia das Quebradeiras de Coco Babaçu, realizada no dia 24 de setembro, em Lago dos Rodrigues (MA).
Com o tema “Com agrotóxicos nos territórios, não há democracia”, a mobilização reuniu quebradeiras de coco babaçu, agricultores e agricultoras familiares, juventudes, organizações e comunidades em defesa dos territórios e dos modos de vida construídos em torno do babaçu.


