Da alfabetização ao comércio justo, AMTR comemora 30 anos de resistência, luta e conquistas

“Hoje as mulheres estão alfabetizadas e ocupam vários espaços na sociedade. Ela deixou de ser a mulher que antes só cuidava da casa e foi à luta por seus direitos. Portanto, celebrar 30 anos é celebrar uma história de muitas lutas e também de conquistas”, afirmou é da presidente da AMTR, Maria das Dores Vieira Lima, conhecida como Dôra, durante a festa de comemoração realizada no dia 18 de maio, na comunidade de São Manoel, no município de Lago do Junco/MA, a 300 quilômetros de São Luís. 

A educação de mulheres e jovens do campo e o comércio justo e solidário, são conquistas importantes das agroextrativistas do babaçu na região do Médio Mearim, além da defesa do meio ambiente e da luta por direitos. Tudo isso conquistado por meio da organização, por meio da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues-MA (AMTR). A AMTR tem entre as suas ações, a produção do sabonete de babaçu, na comunidade vizinha de Ludovico.

Este ano, a festa de comemoração foi realizada na escola Familiar Agrícola Familiar Agrícola Antônio Fontenele, que também tem um significado muito forte para as sócias da AMTR, pois tem a educação como uma das conquistas ao longo dos 30 anos. “Celebrar 30 anos de AMTR é celebrar resistência, conquistas e resultados alcançados. Nosso objetivo agora, para dar sequência a nossa história, almeja contar com a juventude por meio da educação e por meio de políticas estruturantes”, disse Maria Alaídes, sócia e fundadora da AMTR e atual coordenadora geral do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

Uma missa em ação de graças pelos 30 anos, celebrada por frei Patriota, da Diocese de Bacabal, marcou o início da comemoração. Em seguida, relembraram os principais fatos marcantes da AMTR ao longo das três décadas apresentado durante a linha do tempo.

O coordenador da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema), Raimundo Ermino também destacou a conquista das mulheres pela educação. “Nos anos 80 as mulheres eram dependentes dos seus maridos e de seus pais. Na época, quando íamos para uma assembleia, a maioria das mulheres não sabiam assinar seus nomes. E uma das primeiras bandeiras, além do empoderamento, do agroextrativismo e da agroecologia, foi a luta por educação para os filhos. A primeira escola do Lago do Junco de ensino fundamental da zona rural foi conquistada pela AMTR, implantada em Centro do Aguiar”, contou Raimundo Ermino. A Assema foi responsável pela orientação técnica da implantação da fábrica de sabonete e também desenvolve estratégias de combate ao desmatamento na Amazônia Maranhense, com apoio do Fundo Amazônia

Entre outras conquistas da AMTR, está a criação do Dia das Quebradeiras de Coco Babaçu (24 de setembro), uma conquista conjunta MIQCB, além da  aprovação em 1997 da Lei Babaçu Livre em Lago do Junco, garantindo às quebradeiras de coco e às suas famílias o direito de livre acesso e de uso comunitário dos babaçus (mesmo dentro de propriedades privadas), além de impor restrições significativas à derrubada das palmeiras.

“O trabalho da associação é pela renda familiar, pela defesa do meio ambiente e do acesso livre aos babaçuais. O sabonete é um produto fruto da nossa resistência e luta para conter a derrubada dos babaçuais. Do babaçu aproveita-se tudo gerando outros subprodutos como a farinha de mesocarpo, óleo, azeite, artesanato e outros”, explica Dôra.

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