Linha fina: Agosto Lilás
Na última segunda-feira (03), no Auditório do Centro Cultural e Administrativo do MPMA em São Luís (MA), a ASSEMA esteve presente para discutir o tema “Os desafios enfrentados pelas mulheres de comunidades tradicionais extrativistas do Maranhão”. Realizado em parceria com a Escola Superior do Ministério Público (ESMP/MA) e o Centro de Apoio Operacional de Defesa da Mulher (CAO-Mulher), o encontro no Auditório do MPMA integrou as ações do Agosto Lilás e celebrou os 20 anos da Lei Maria da Penha.
O objetivo central do evento foi debater as violências de gênero e refletir sobre os desafios diários enfrentados pelas mulheres de comunidades tradicionais extrativistas do Maranhão.
A mesa contou com a representação de peso de companheiras de luta, Quebradeiras de Coco Babaçu: Francisca Cilene Silva de Morais e Maria das Dores Vieira Lima, ambas representantes da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues (AMTR), Sebastiana Gomes Sirqueira, representando a Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco (COPPALJ), e Antônia Dalva de Sousa Silva, representante da Associação de Mulheres Trabalhadoras Quebradeiras de Coco de São Luís Gonzaga (AMTQC).
A mediação da roda de conversa foi realizada pela Promotora de Justiça Sandra Fagundes Garcia, coordenadora do CAO-Mulher do MPMA, e a programação contou também com as importantes contribuições da Promotora de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MPAM), Karla Cristina da Silva Reis, que palestrou sobre os desafios contemporâneos da justiça no enfrentamento da violência de gênero.
Francisca Cilene (AMTR), emocionou ao relembrar os tempos de conflito físico e perseguição por parte de fazendeiros e capatazes, mostrando como a organização coletiva, iniciada em grande parte por clubes de mães, foi um dos meios para a resistência das mulheres de sua comunidade e muitas outras.
“O nosso grande desafio foi o medo, a gente tinha medo de apanhar. Através da nossa capacitação e da nossa união, hoje nós somos AMTR, hoje nós somos fortes. Nós somos resistência.Nunca desistimos da luta. Nós somos mulheres fortes, porque quando a gente pensava em desistir a outra dizia assim: ‘Nós somos fortes’. Me criei quebrando coco, sou mãe de quatro filhos de Escola Família. Criei quebrando coco, hoje eu tenho orgulho de dizer que sou a Quebradeira de Coco.”, declarou Cilene.
Já Dona Sibá (COPALJ) trouxe uma perspectiva crítica sobre a exaustão imposta socialmente às lideranças femininas. Relembrou os tempos de maior conflito da década de 80, enfatizando como a rede de apoio da AMTR e a assessoria da ASSEMA foram essenciais para o fortalecimento do grupo. Ao mesmo tempo, fez um alerta necessário sobre a romantização da mulher que precisa resistir às violências.
“Muitas vezes nós não somos mulheres empoderadas, nós somos mulheres sobrecarregadas. A gente carrega a carga da família, do município, na luta, mas quando voltamos para casa, temos que dobrar o trabalho por não termos parceria. Nós temos que trabalhar essa educação de libertação da igualdade do poder da mulher”, desabafou.
Sebastiana finalizou celebrando a grande vitória que é a Lei Municipal do Babaçu Livre, fazendo um apelo direto aos representantes do Ministério Público presentes, para que essa luta se expanda e seja fortalecida em todo o estado.
O evento também sediou a realização de uma feirinha de produtos artesanais que possibilitou um espaço para expor o trabalho das quebradeiras. Esse espaço, para além da valorização dos produtos, é também a prova que a autonomia financeira e a valorização da economia solidária andam de mãos dadas com a emancipação feminina e a preservação do meio ambiente.
Pelo direito ao território, à vida sem violência e ao Babaçu Livre!


